A mulher que marcou a história das Maratonas vai fazer a sua própria estátua em Boston

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A Maratona de Boston, a mais antiga do Mundo (primeira prova em 1897), tem mais uma edição agendada para segunda-feira, a sua 120.ª. Entretanto, a fundação sem fins lucrativos 26.2 Foundation resolveu levantar fundos para homenagear a primeira mulher a correr a prova, Roberta “Bobbi” Gibb, em 1966, com uma estátua. Que a própria irá criar…

 

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A Maratona de Boston completa a sua 120.ª edição na segunda-feira, mas há outra data “redonda” a merecer destaque: os 50 anos da primeira prova de Roberta “Bobbi” Gibb, a primeira mulher a correr a Maratona de Boston (conheça também aqui a incrível história de Kathrine Switzer, a primeira corredora a correr a Maratona de Boston com dorsal).

Recorde-se que, em 1966, as mulheres estavam proibidas de correr grandes distâncias por se acreditar que, fisiologicamente, eram incapazes de completar uma Maratona, que seria prejudicial para a sua saúde.

Mas isso não impediu que Gibb, com os calções do irmão, uma camisola larga para esconder o seu peito e um capuz para o cabelo, participasse na prova, embora tenha sido obrigada a se esconder numa vegetação próxima da partida para não ser vista.

Quando o tiro de partida foi dado, Gibb juntou-se ao grupo de homens e começou a correr a Maratona de Boston, algo que imaginou dois anos antes, quando viu pela primeira vez imagens da prova.

Nos quilómetros iniciais, a jovem teve vontade de tirar a camisola devido ao calor, mas não o fez por medo, inclusive de ser presa. No entanto, com o evoluir da prova, os corredores perceberam que Gibb era uma mulher e, ao contrário do que pensava, começaram a incentivar a sua perfomance, o que fez com que a norte-americana tirasse a camisola, o que causou uma enorme surpresa no público presente, que reagiu de imediato. Enquanto os homens aplaudiram, as mulheres choraram…

No final, Gibb disse que não fez um tempo melhor devido as inúmeras bolhas causadas pelos seus ténis, que eram novos e que a impediram de correr nas melhores condições. Mas também por ter medo de sentir algum problema físico, o que acabou por retrair o seu ímpeto em diversos momentos, principalmente na primeira metade.

Gibb terminou a corrida com o tempo de 3h21m40 (no primeiro terço dos finalistas), repetindo a sua experiência em 1967 e 1968, não sendo no entanto oficialmente reconhecida a sua presença, algo contrariado apenas em 1969, quando os organizadores da Maratona de Boston entregaram finalmente as suas três medalhas.

De referir que a norte-americana pediu permissão para correr a prova de 1966, mas o diretor da Boston Athletic Association enviou uma carta a dizer que uma mulher não tinha capacidades físicas para correr 42.195 metros e que por isso não a poderia inscrever, já que isso seria uma grande irresponsabilidade da sua parte.

Esta história é uma das mais marcantes da Maratona de Boston e por isso a estátua em sua homenagem é mais do que justificada. A peça será curiosamente concebida pela própria Gibb, que estudou na Escola de Belas-Artes de Boston.

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A norte-americana, que continua a correr aos 70 anos, disse que não se sentia à vontade em fazer uma estátua de si própria e por isso prefere pensar que a obra é uma singela homenagem a dezenas de milhares de mulheres que seguiram as suas convicções, mesmo quando muitos desejaram o contrário.

«Estou realmente envergonhada por criar uma escultura minha. Preferiria criar uma mulher genérica, talvez com os nomes das primeiras 50 vencedoras da Maratona de Boston», referiu à imprensa norte-americana.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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