A lenda CARLOS LOPES comemora 70 anos

Há sete décadas nasceu um dos grandes do desporto português e mundial. Carlos Alberto de Sousa Lopes, idolatrado como Carlos Lopes, é ainda hoje uma referência para milhões de pessoas, inclusive para as gerações mais novas, que, apesar de verem para as imagens dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984 com um “olhar atravessado”, reconhecem de imediato que naquele preciso momento estava a acontecer algo de especial, concretamente o nascimento de uma lenda, já que foi com a vitória na Maratona olímpica que Carlos Lopes entrou no seleto grupo dos Deuses do Desporto.

 

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Se no futebol há uma data marcante para os portugueses, o dia 10 de julho de 2016, com o golo de Éder na final do Euro em França, no Atletismo essa data é 12 de agosto de 1984 (madrugada do dia 13 em Portugal), quando Carlos Lopes conquistou para o país a sua primeira medalha de ouro olímpica, aos 37 anos. Um feito para muitos impensável, ainda mais quando Carlos Lopes praticamente não tinha competido entre 1978 e 1982 devido a inúmeras lesões, principalmente nos tendões de Aquiles. Não por acaso muitos tinham colocado um ponto final na sua carreira, algo que, felizmente, não aconteceu.

«Há perguntas que não têm resposta. Mas aprendi a ser prático e objetivo. De acordo com as minhas convicções, o ditado de que “o importante é participar” sempre me deixou doente. Eu queria participar para ganhar! Tudo o que fazia era definido com esse fim. Sempre procurei correr o mais rápido que conseguia. Nos treinos, por exemplo, comecei a marcar pontos específicos por onde passava. Todos os dias procurava superar o meu melhor registo. Nas pistas procurava sempre aprender com os meus adversários. Fui para a Maratona porque queria ser campeão olímpico, sentia essa capacidade e necessidade de ser campeão olímpico. Dava-me um prazer enorme correr com os melhores», referiu o hoje septuagenário no VI Congresso Internacional de Corrida, uma declaração que resume muito da sua postura no deporto e na vida.

Lopes nasceu portanto há 70 anos, a 18 de fevereiro de 1947 em Vildemoinhos, Viseu. O mais velho de sete irmãos oriundo de uma família humilde, trabalhou como servente de pedreiro mal terminou a escola primária. Entrou para o Atletismo por acaso, já que o seu sonho era ser jogador de futebol, o que não aconteceu devido ao seu franzino físico. No entanto, o seu destino estava definitivamente traçado, principalmente depois de estar sob a alçada de Mário Moniz Pereira, no Sporting.

Os resultados no Atletismo apareceram (campeão nacional, de Portugal, Taça dos Clubes Europeus, mundial, Taça da Europa…) e, nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, conquistou uma “amarga” medalha de prata nos 10 mil metros (primeira medalha olímpica do Atletismo nacional) quando era o principal favorito, sendo superado pelo finlandês Lasse Viren. Um desaire que acabou por ser marcante na sua carreira desportiva, como refere em muitas entrevistas.

A Maratona surgiu na vida de Carlos Lopes em 1982, quando correu as provas de Nova Iorque (abandono) e Roterdão (segundo colocado, primeiro europeu), já tarde para a distância. Todavia, dois anos depois, o português escreveu de vez o seu nome na História do Desporto nacional e mundial, já que, apesar do seu invejável curriculum, a verdade é que uma medalha de ouro olímpica é quase uma obrigação para quem sonha ultrapassar a fasquia que separa os Homens dos Deuses.

Como curiosidade, refira-se que a participação de Lopes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles esteve em causa, já que semanas antes do evento foi atropelado enquanto treinava. Mas nada o impediu de terminar a Maratona com um tempo astronómico, 2h09m21, um recorde olímpico apenas suplantado em Pequim2008 (Sammy Winjiru, 2h06m32).

Carlos Lopes após o triunfo na Maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles84

Um ano depois do marcante ouro olímpico, novamente em Roterdão, correu a principal distância do Atletismo em 2h07m12, recorde do Mundo na altura, o primeiro homem a correr os 42.195 metros em menos de 2h08, apenas mais uma prova da grandeza de um homem que levou o nome do país a conquistas inimagináveis e inalcançáveis até então, um homem que marcou e que continua a marcar gerações, mesmo as mais novas, que não conseguem ficar indiferentes às já “velhinhas” imagens do dia 12 de agosto de 1984 (madrugada do dia 13 em Portugal)…

Os números da lenda

RECORDES PESSOAIS
5000 metros: 13.16,38 (Oslo – 1984)
10000 metros: 27.17,48 (Estocolmo – 1984)
Maratona: 2.07.12 (Maratona de Roterdão – 1985)
3000 metros com obstáculos: 8.39,6 (Lisboa – 1973)

PALMARÉS
1976 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1976 2º Lugar nos Jogos de Montreal.
1977 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1982 venceu os 10000 metros de Bislett Games em Oslo
1982 venceu a Corrida de São Silvestre de São Paulo, Brasil.
1983 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1983 2º Lugar na maratona de Roterdão.
1984 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.
1984 2º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro português, Fernando Mamede.
1984 venceu a maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, estabelecendo o recorde olímpico da prova
1984 venceu a tradicional Corrida de São Silvestre de São Paulo, no Brasil,
1985 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato (cross-country)
1985 venceu a maratona de Roterdão e quebrou o recorde mundial da prova.

CAMPEONATOS NACIONAIS
2 Campeonatos Nacionais 5000 metros (1968, 1983)
2 Campeonatos Nacionais 10000 metros (1970, 1978)
1 Campeonato Nacional 3000 metros com obstáculos (1975)

JOGOS OLÍMPICOS
1972 – Munique – 5000 metros (Qualificações)
1972 – Munique – 10000 metros (Qualificações)
1976 – Montreal, Canadá – 10000 metros (Medalha de Prata)
1984 – Los Angeles – Maratona (Medalha de ouro)

CAMPEONATOS DO MUNDO
1983 – Helsínquia – 10000 metros (6º lugar)

CAMPEONATOS DA EUROPA
1971 – Helsínquia – 10000 metros (33º lugar)
1971 – Helsínquia – 3000 metros com obstáculos (Qualificações)
1974 – Roma – 10000 metros (Desistiu)
1982 – Atenas – 10000 metros (4º lugar)

CAMPEONATOS DO MUNDO DE CORTA-MATO
1976 – Chepstow, País de Gales (Medalha de ouro)
1977 – Dusseldorf (Medalha de prata)
1983 – Gateshead, Inglaterra (Medalha de prata)
1984 – East Rutherford, Estados Unidos (Medalha de ouro)
1985 – Lisboa (Medalha de ouro)

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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