Eles correram 25000 km em dois anos…

O argentino Alex van Reeth e belga Seba Vandermolen terminaram no último sábado o desafio das suas voltas, já que correram entre o Alasca e Ushuaia, o equivalente a 590 Maratonas, 25.000 quilómetros. Começaram a correr em junho de 2016, terminaram no último sábado.

 

O jornal Clarín perguntou a Van Reeth os motivos do seu desafio. A resposta do argentino foi muito mais simples do que o seu desafio:

«Devido ao amor ao desporto, ao ar livre, a esta necessidade de evitar a sensação de clausura que é reinante no século XXI. Cumprir hoje um sonho é possível. Na minha cabeça não existe o “Não posso, não consigo”. Tento sempre, depois vejo o que acontece. Posso alterar o plano, mas nunca o objetivo.»

Filho de pai belga, Van Reeth revelou que o “click” na sua vida aconteceu em 2015, quando, cansado de trabalhar cerca de 12 horas, perguntou a mulher se ela estaria disposta a correr pelo Mundo, do Alaska a “Tierra del Fuego”. A companhia acabou por ser o seu colega de Ultramaratonas, começando a aventura no dia 1 de junho de 2016, em Prudhoe Bay, o ponto mais nórdico do estado norte-americano.

O destino final, como referido, Ushuaia…

O argentino salientou ao Clarín que esta viagem também teve como objetivo uma causa nobre, concretamente ao seu treinador, o triatleta Marc Herremans, incapacitado após um acidente de bicicleta. «Devo a ele toda a minha vida desportiva, foi ele quem me treinou para as Maratonas.»

Clique na imagem para ver a página do Instagram dos aventureiros
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Os dois corredores tiveram a companhia das suas companheiras, que os acompanharam ao longo destes dois anos. No total, conseguiram cerca de 6000 euros de patrocínios, mas também uma marca de sapatilhas, que ofereceu 30 pares, algo importantíssimo para o argentino.

«Imagina, correr 42 quilómetros a cada dois dias… Não há sapatilhas que aguentassem!»

A estratégia seguida na aventura foi correr 42 km todos os dias, um dia um, outro dia outro. Durante dois anos… Foi assim que passaram pelo Canadá, Estados Unidos, México, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador, Perú, Bolívia, Chile e Argentina.

Um périplo registado ao pormenor na página oficial deste desafio: www.viapanam.be.

Argentino quer voltar para a Argentina para viver uma vida mais calma

Em média, Van Reeth e Vandermolen correram entre 4, 5 horas por dia, em dois turnos, a uma média de 11 km/h. Em termos de alimentação, galinha, verduras e massa foi a base de tudo. No pequeno-almoço, frutas e panquecas de doce de leite e mel, além de 6 litros de água por dia.

Um dos momentos mais assustadores foi vivido no Canadá, revelou o argentino ao Clarín.

«Fomos perseguidos por ursos negros num determinado caminho. Ficámos assustados e tememos o pior, já que eles estavam a dois metros de nós. No momento exato subimos na nossa caravana.»

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Van Reeth referiu que, para ultrapassar um desfaio desta grandeza, é necessário ser mentalmente muito forte.

«Não sobrevive o que está fisicamente mais forte, mas quem tem a capacidade mental para se adaptar as constantes alterações e diversas circunstâncias. Este é o segredo que procuramos manter ao longo do caminho, sempre mirando o objetivo final (…) Pensei que iríamos correr dois meses e que terminaríamos desgastados e lesionados. A força de vontade nunca deixa de nos ensinar e surpreender (…) Entendemos que o físico é importante, que não deve ter excessos na alimentação, mas tudo passa pela cabeça, que é a grande chefe do nosso corpo

O argentino admitiu ainda ao Clarín que, apesar de satisfeito com o término da sua experiência, estava a viver um momento complicado, já que, nos dois últimos anos, tinha um objetivo em mente. Agora sentia um enorme vazio na vida.

«E agora?», perguntou o Clarín ao argentino, que mora em Antuérpia, na Bélgica.

«Agora vamos desfrutar uns dias em Ushuaia, visitar a minha mãe em Córdoba e pensar como convenço a minha mulher a viver na Argentina. Eu quero voltar, na Europa ganhas dinheiro, mas as pessoas são fechadas e não te dizem bom dia. Estamos sempre a trabalhar e o que desejo é tomar mate e dormir a “siesta”.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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